Levantar recursos para financiamento dos projetos é o ponto chave das startups. Uma dessas alternativas é o crowdfunding para startup, uma espécie de financiamento coletivo.
Diante dos momentos críticos e de incerteza que a economia vive, essa modalidade é bastante atraente. Neste artigo, você vai entender melhor o que é crowdfunding, sua origem, como funciona, qual o tipo mais adequado de crowdfunding para startup, diferença em relação a outros tipos investimentos, entre outros.
O que é crowdfunding?
O crowdfunding é uma das principais modalidades no Brasil para financiar projetos e startups. É um financiamento coletivo obtido por meio de empresas, sistemas de recompensas, ONGs, entre outros.
O crowdfunding startup é um pouco diferente. O dinheiro reunido tem como objetivo desenvolver um serviço, produto ou até mesmo o MVP para startup.
Além disso, o crowdfunding startup é uma opção de aplicação financeira para aqueles investidores que não querem apostar seu dinheiro em private equity, fundos de venture capital ou investimento anjo.
Após a regulamentação da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, o crowdfunding teve um surpreendente aumento.
Origem do Crowdfunding
A iniciativa de crowdfunding é bem antiga, sendo datada de 1700, quando o escritor irlandês Jonathan Swift desenvolveu um fundo de empréstimo para a população pobre e boa pagadora em Dublin, na Irlanda.
Ele reuniu dinheiro com pequenas contribuições de comerciantes e outros mais abastados, formando o “pool” que seria emprestado para os tomadores.
Ao longo dos anos, vários eventos similares aconteceram. Com a chegada da Internet, essas iniciativas tomaram uma escala inimaginável. Em 1997, a banda britânica Marillon realizou sua turnê com financiamento dos seus fãs, numa arrecadação online.
Somente em 2006 que o termo crowdfunding foi criado para justificar qualquer tipo de financiamento que tenha a contribuição do público, ou “crowd”, em inglês. A partir daí, várias plataformas de crowdfunding foram lançadas, como: ArtistShare, Kickstarter, Indiegogo, entre outras.
Tipos de Crowdfunding
Atualmente, há quatro tipos de crowdfunding: crowdfunding de doações (não há nada em retorno), crowdfunding de recompensas (produtos em troca de dinheiro), crowdfunding de dívida (pool de dinheiro de diversos credores para financiar projetos em troca de recebimento de juros) e equity crowdfunding (investidor recebe participação na startup).
Conheça mais sobre cada um:
Crowdfunding de doações
É um dos modelos mais conhecidos, sendo representado por grandes plataformas internacionais como Kickstarter e Indiegogo. No Brasil, também há vários sites de crowdfunding, como Vakinha, Catarse e Kickante.
No crowdfunding de doação, o doador ou investidor apenas oferece ajuda gratuitamente para uma determinada campanha sem receber nada em troca.
Há vários tipos de campanhas, desde questões relacionadas à saúde, como uma cirurgia, até mesmo financiamento de campanha eleitoral.
Crowdfunding de recompensas
No crowdfunding de recompensas, o investidor recebe um produto em troca da doação. A recompensa é um agradecimento por ter recebido a doação.
Em geral, as recompensas são bottons, camisetas, objetos de decoração e até jantares com os idealizadores do projeto.
Crowdfunding de dívida
Modelo em que várias pessoas se reúnem para financiar um pool de recursos, que vai ser destinado para um determinado projeto.
A condição para receber o valor da doação é que o dinheiro seja devolvido após um determinado tempo, com adicional de juros.
As principais plataformas internacionais desse modelo são: Funding Circle, Fundrise, Upstart e Lending Club. Os sites brasileiros são: Tutu digital, Nexoos, Kayod, Iouu, entre outras.
Equity crowdfunding
O equity crowdfunding é a modalidade que mais ganha força no Brasil. Pode ser considerado o crowdfunding de startup, pois investidores oferecem dinheiro em troca de um percentual da participação societária.
No equity crowdfunding, há pequenos investidores do varejo, que investem 100 reais, até investidores institucionais e qualificados, que apostam 50, 100, 150, 200, 300 mil reais por projeto.
No crowdfunding startup, as plataformas online são usadas para atrair investidores e captar recursos. Em troca, são emitidos títulos e contratos que darão direito à participação no negócio.
Para as startups, há o risco de ceder uma participação societária na sua empresa para um investidor que só está aplicando capital financeiro, mas não tem nenhum conhecimento na área.
Em geral, todo negócio acontece nas plataformas de crowdfunding. A startup abre o crowdfunding num site específico, os investidores que estiverem interessados vão realizar o aporte.
As plataformas costumam cobrar taxas para realizar essa transação. Em muitos casos, o investimento mínimo é de mil reais.
Diferença entre investidor anjo e crowdfunding
Além do crowdfunding para startup no Brasil, há outra modalidade de investimento muito utilizada no país – o investidor anjo.
O investidor anjo é uma modalidade de investimento realizada por pessoas físicas que possuem capital próprio. Os principais tipos de investidores nessa modalidade são executivos, empresários liberais e empresários que têm uma vasta experiência no mercado.
Em geral, esses investidores procuram startups que estão na fase inicial do negócio, mas que tenham elevado potencial de crescimento.
Além do aporte financeiro, os investidores anjo participam da empresa como mentores e conselheiros. Eles emprestam seus conhecimentos, contatos e experiências para ajudar a startup decolar.
Em média, o valor aplicado pelos investidores anjo nas startups representa de 5 a 15% do patrimônio. O valor das startups pode variar entre 50 mil e 250 mil reais. Portanto, não é preciso ter grande fortuna para se tornar um investidor anjo.
Grande parte dos investidores anjo tem conhecimento no segmento que está investindo. Por isso, sua mentoria é fundamental para o negócio crescer.
Benefícios do crowdfunding para startup
A modalidade de crowdfunding startup permite que pessoas físicas emprestem dinheiro para desenvolver um novo projeto, recebendo o valor de volta com juros.
O crescimento do crowdfunding para startup vem batendo recordes nos últimos anos. Ele funciona como uma solução para pequenos empreendedores que precisam que suas ideias sejam financiadas. Isso evita que as startups procurem bancos e investidores anjos em busca de recursos.
Especialistas acreditam que em alguns anos o equity crowdfunding vai ser a principal fonte de financiamento de startups no Brasil.
Para os investidores, há vários benefícios, como alta rentabilidade, diversificação de carteira, sociedade e participação na gestão, apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias e operação de uma modalidade moderna.
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Como investir em startups no Brasil?
Para as startups, o financiamento coletivo também apresenta diversas vantagens:
- Desburocratização
- Aceleração na captação de recursos
- Crescimento acelerado dos negócios
- Aumento de chance de sucesso
Atualmente, há mais de 13 mil startups mapeadas no país. Dessa forma, o capital do investidor passou a ser disputado de forma mais acirrada.
Além disso, a taxa de juros está baixa, o que garante que mais investidores vão explorar o crowdfunding para obter maiores retornos.
Dessa forma, é muito mais fácil convencer vários interessados em apostar um valor menor no seu projeto do que conseguir um investidor faça um aporte elevado numa empresa.
Para os que preferem aplicar, o crowdfunding para startup é uma forma de diluir os riscos, pois os recursos são distribuídos para diferentes empresas.
Para encontrar oportunidades de investimento, é importante acompanhar os melhores sites de crowdfunding no Brasil. Eles reúnem startups que estão buscando investidores e oferecem baixas taxas. As principais plataformas brasileiras são:
- Catarse
- Entropia Coletiva
- Bicharia
- Kichante
- Juntos.com.vc
- Benfeitoria
Essas plataformas cobram entre 10 e 15% de taxas administrativas. O crowdfunding gera oportunidade para que investidores tenham retorno a longo prazo. Mesmo que haja risco de a startup não decolar, se a aposta é certa, o investidor será capaz de multiplicar seu investimento.
Muitos investidores dividem seu capital financeiro em diversas startups promissoras. Dessa forma, o risco é reduzido e é uma forma de ampliar sua carteira de investimentos.
Regulação do Crowdfunding no Brasil
Em 2017, a CVM – Comissão de Valores Mobiliários – publicou a Instrução 588. Nela, o órgão regulamentou a atividade de investimento em startup, por meio de plataformas de equity crowdfunding, como totalmente legal.
A norma foi inspirada no JOBS ACt, dos Estados Unidos, e buscou prover maior segurança jurídica para os investidores e plataformas. A instrução 588 apresentou uma série de diretrizes que devem ser seguidas pelas plataformas de crowdfuding.
Seu principal objetivo é garantir maior transparência e alinhamento de interesses econômicos entre as startups que vão receber os recursos e os investidores. Além disso, a norma pretende reduzir os riscos de fraudes.
Responsabilidade da plataforma de crowdfunding
De acordo a norma da CVM, é de responsabilidade da plataforma de crowdfunding:
- A seleção das startups;
- Disponibilização dos possíveis investidores;
- Publicação de dados financeiros, modelos de negócios e equipe de sócios dos investidores;
- Proteção dos negócios participantes e de cada oferta.
Cabe às startups disponibilizar os documentos referentes à saúde da empresa, tanto financeira, quanto jurídica. De acordo com a Instrução, um investidor pode investir, no máximo, 10 mil reais por ano. Mesmo assim, há investidores qualificados pela CVM, que podem exceder esse valor.
As startups que possuem faturamento anual inferior a 10 milhões de reais estão autorizadas a solicitar crowdfunding. Por fim, a captação máxima por empresa é de 5 milhões de reais.
A regulamentação do crowdfunding para startup no Brasil é uma grande conquista para o mercado de inovação do país.
Os empreendedores veem que há mais um agente financeiro para ajudar na difícil jornada de captar recursos. Já os investidores enxergam o crowdfunding como uma excelente opção de investimento com alta rentabilidade.